novembro 01, 2008

HITTING VENUS

Eis que me pego deitado completamente sobre a minha mesa da cozinha. Já são mais que meia-noite e eu tenho prova no dia seguinte. Minha mente é hiperativa e oscila entre pensar sobre a dispensa que nunca tem nada de "comer à meia-noite" e todas as coisas que eu ouvi ele me falar poucas horas atrás.
Eis que me pego largado completamente sobre a minha mesa da cozinha. Paro tudo e penso face it, man... você não está feliz. Não estou feliz.

Você talvez não entenda, mas para um gayguy, ter uma escova de dentes amarela é algo importante. Amarelo não é exclusivamente uma cor feminina mas com certeza não tem nada de masculina. Não é forte como azul ou verde mas não é delicada como lilás ou rosa. É amarelo.
Ele usou minha escova de dentes uma vez que não trouxera a sua para passar a noite aqui em casa e, para nós, não tinha nada de nojento em relação a isso - era só mais uma coisa que dividíamos.
- Legal, você tem uma escova amarela, sempre quis uma amarela mas minha mãe sempre compra azul ou verde.
Foi o que ele me disse e eu fiquei imensamente feliz porque pude, eu mesmo, fazer com que ele tivesse uma escova amarela sem nenhum tipo de reprovação.
Como as escovas de dentes, dividiu-se as roupas, a cama, o travesseiro, as músicas, os olhares, os caminhos, as doses de cana, os cigarros, os planetas...
Só não dividíamos os pensamentos e foi essa única coisinha de nada que nos fez confirmar o ditado budista ou o samba tristeza não tem fim; felicidade, sim.

Eis que me pego derrotado completamente sobre a mesa da minha cozinha. A escova de dentes acabou e foi-se. Ele também.

outubro 22, 2008

"não pode haver amor se não somos nós mesmos com as nossas próprias forças"

Ítalo Calvino - o barão nas árvores

outubro 13, 2008

do baú 8D


todas as coisas que nós sabiamos sobre Hanna eram muito muito poucas. Hanna tinha os traços muito finos e falava com a sobrancelha também. Hanna se parecia comigo, Hanna dividia os meus mesmos genes. Mas, mesmo assim, eu não sabia muito sobre Hanna ou como Hanna gostava das coisas. Talvez ela não gostasse de nada, afinal, ela não parecia gostar de ninguém.
a verdade é que eu aprendi, vivendo com Hanna toda a vida, que era uma garota muito frágil. os demonios de Hanna a tornavam fragil. Eram tantos demonios, tantos demonios que provavelmente Hanna acabava gostando deles. Mesmo quando eles a faziam chorar - e ela chorava muito -, Hanna nunca pareceu querer estar longe dos demonios, ela nunca pareceu se esforçar para livrar-se deles.
no dia que Hanna morreu, eu não sabia bem quem a teria matado. foi por isso que eu me culpei. Hanna não gostava de mim, mesmo que as vezes eu também fosse um de seus demonios. Papai e mamãe, que depois morreram também, foram culpados por mim mais tarde. Mais tarde, muito depois da morte de Hanna, eu descobri que quem havia matado Hanna, fora ela mesma. E ela se matou tantas vezes, que quase se livrou de todos os demonios. Fiquei eu para chorar por Hanna todas as vezes que eu a fiz chorar. Hanna não parou de chorar ainda.
Hanna nem sempre foi assim, chamada de um nome como Hanna.



sobre Júlia, 03/ago/2007

setembro 23, 2008


é tanta coisa acontecendo tão rápido que eu nem sei se dá tempo de engolir alguma coisa.
também não sei o que fazer ou o que pensar. eu não quero pensar.

setembro 01, 2008

liebeloveamourljubavkærlighedrakastaaliefhebbenamorekjærlighetiubirekärlekláska
amor.

agosto 14, 2008

da luz que a vida tem



Aluno, do latim, quer dizer "sem luz", acho que isso não é novidade pra ninguém. É que hoje eu parei pra refletir sobre essa condição.

sinceramente, me sinto ofendido. tá que eu não sei metade do que meus professores sabem e que eu não sou um profissional em área alguma, que eu não tenho diploma, que eu não posso exercer muitos cargos, que eu nem idade tenho... mas "sem luz"?
Quem disse que dependemos de um monte de cálculos, datas e silogismos para brilhar? Quem foi tão insano ao ponto de afirmar que o brilhantismo depende de um aprendizado coordenado, pré-esquematizado e voltado ao vestibular?
E a criatividade? E a auto-expressão, o pensar, a arte, o novato também, as palavras que soam erradas no início, os pequenos prazeres da vida, o medo das coisas que não existem, o amor, todos os outros sentimentos, a leitura das imagens, as batidas de um baixo dentro da sua caixa torácica, as cores, os dizeres e aprenderes da vida? Desprezados, nada disso brilha, ou nada disso cabe a um aluno.
Sem luz eu não sou não, me chame de estudante se quiser - vou ser pra vida toda. É, eu to brilhando. Brilhando informação, to brilhando o belo, to cintilando e não pretendo parar nunca.

agosto 12, 2008

as novas


okay, podem me chingar de negligente, eu assumo a culpa. mas estou correndo atrás, não é? se abandonei o blog tanto tempo, uma hora tinha que voltar a postar.

Hoje mais cedo eu bati de cara com aquela minha velha sorte chinesa sobre a tormenta e a bonança. Fiquei ali refletindo sobre a minha situação naquela época, o que era tempestade e o que era calmaria para mim naqueles dias.
Engraçado, agora penso que tenho exatamente do jeito que eu queria as coisas que me faltavam. Eu tenho os sparks todos e mais que isso se você quer saber. Então a bonança chegou depois de tanto choro, tanta raiva, tantos foras, tantas voltas do mundo.

Mas será que é isso que eu quero agora? Será que vale a pena? Juro que não sei a resposta. Não sei e tenho medo de fazer a escolha errada aos poucos, sem nem perceber.

E de que vale essa reflexão assim, se eu já sei que vou deixar as coisas acontecerem despacio, porque tudo comigo é no sapatinho senão não dá pra sentir nada. Que graça tem a vida se não se sente?