dezembro 01, 2008

TERRA

"(...)Os que se preocupam em combinar a cor das roupas escutam rock na juventude, jazz na maturidade e clássico na velhice. Conseguem ser pais e avós. Ouvem clássico e jazz antes dos 40, e rock depois. Sabem andar de motocicleta, sabem dirigir automóveis. Nunca se machucaram seriamente. Não fumam muito, não falam muito. Fazem rir com piadas. Não telefonam para ex-mulheres quando estão solitários, nunca estão totalmente solitários... Guardam lembranças...(...)"

do curta "Terra" de Sávio Leite

novembro 24, 2008

Ismália


Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu uma lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu.
Seu corpo desceu ao mar...



GUIMARAENS, Alphonsus de.
Poesia completa. Organização de Alphonsus
de Guimaraens Filho. Rio de Janeiro:
Nova Aguiar, 2001. p. 313-314

novembro 21, 2008


O amor era o vinho que deixava os degustadores embriagados...
O amor era o vinho que deixava os degustadores embriagados...
O amor era o vinho que deixava os degustadores embriagados...
O amor era o vinho que deixava os degustadores embriagados...
O amor era o vinho que deixava os degustadores embriagados...
O amor era o vinho que deixava os degustadores embriagados...
O amor era o vinho que deixava os degustadores embriagados...
O amor era o vinho que deixava os degustadores embriagados...
O amor deixou todo mundo desnorteado.

novembro 19, 2008

DA FIBRA ÓTICA E SUAS UTILIDADES

Hoje de manhã tive a última aula do ano letivo. Conhecendo bem a minha turma, dá pra imaginar o quão zoado foi o dia. Quarta-feira, que costuma ser o pior da semana, tornou-se o melhor esta semana e nem aula de química a gente teve.
O que tivemos foram momentos de saudosismos e várias vezes pude sentir e admirar as pessoas a minha volta numa quase vontade de voltar pelo tempo para outras boas situações. Fico achando graça dessas coisas, depois de um, dois anos de convivência, você acaba se apegando e é tão difícil imaginar tudo o que pode acontecer de agora em diante.
Ano que vem as coisas vão mudar muito e essa história de mudar vai continuar por um bom tempo nas nossas vidas agora que estamos, vagarosamente, nos tonando adultos, mas é difícil me imaginar passando por essa situação sem estar ao lado de alguns que estiveram lá desde a parte em que minhas memórias começam. Sendo estes queridos ou não.
Infelizmente meu ano letivo não acabou aí (ah, quem me dera...). Além de já estar estudando para a final - que para mim é novidade - amanhã apresento a minha monografia sobre fibra optica e suas utilidades. Lê-se: forma mais fácil de passar de ano.
A verdade é que, tão ocupado com o trabalho de Britney Spears para inglês, eu não participei taaaanto da monografia.. Eu não sei nada. Não é muito difícil, mas tô inseguro e cansado e ainda tem esse lance de stress.
Hoje é dia 19 de novembro. A final termina dia 19 de dezembro. Que motivação eu tenho pra passar mais um mês estudando?



novembro 14, 2008

VIDE P.S.

adivinha porquê eu estou doente? HEHEHE, vide P.S. ¬¬'

Preciso de férias. FOR GOOD.

novembro 11, 2008

when i feel heavy metal

Eu desci do meu carro depois de mais ou menos meia hora de busca por uma vaga. Eis mais uma daquelas pequenas coisinhas que a gente ganha de presente depois que a tal da responsabilidade vem bater nossa porta. Tudo um inferno, eu sinto falta de ter 15 anos.
De qualquer forma, estacionei o carro de Louise longe do restaurante porque era sexta, já passava das nove e aquele bairro está sempre movimentado.
Era engraçado porque Louise não estava com o carro dela mas estava no restaurante usando o meu carro. De qualquer forma, eu desci do carro e caminhei duas quadras até Louise que já deveria ter comido o suficiente para pagar um mês da minha faculdade. Aquele lugar era um assalto, era para turistas.
Eu olhei para ela ao longe, como estava gorda. E parecia um suíno de verdade quando comia, até achei que a ouvi roncar. Me aproximei:
-Desculpe a demora, o tráfico estava abusivo.
-Comi na sua frente, não agüentava mais de tanta fome. - Tinha molho na sua blusa.
-Não faz mal, não estou com fome. - E me servi do vinho na mesa que já estava com a garrafa pela metade.
Ela olhou com desdém para a minha taça, talvez não estivesse afim de dividir, mas que se dane, eu que iria pagar mesmo... "seu pai é rico, você não tem que se preocupar com dinheiro" dizia ela, só porque o meu pai tem um canavial no Brasil. O dinheiro que gasto é meu e é ralado, papai só ajuda de vez em quando. Em seguida ela acendeu um cigarro barato mas não parou de me fuzilar.
-Louise, o que tá fazendo? Não pode fumar aqui!
Ela continuou, revirando os olhos.
-Louise! As pessoas tão olhando para cá! Vão chamar o garçom! Louise, não quero ser expulso de um lugar como esse.
-Que se dane, eu preciso relaxar! Já sei porque você me chamou pra conversar.
Tossi discretamente depois de engolir alguns caracóis.
-Sabe? Como pode saber?
-Não finja, rapaz, eu sei que você quer terminar comigo, eu conheço seu olhar! E se não quisesse, teria vindo de metrô em vez de trazer meu carro para mim.
-Então é isso - falei áspero largando as chaves dela em cima da mesa, mas elas escorregaram para o chão porque tinham um chaveiro absurdamente colorido e pesado e gigantesco - por favor pegue suas coisas e saia do meu apartamento.
-Você não vai nem se justificar?
-Como assim me justificar? Tenho que sustentar nós dois, você come feito porca, vai repetir o período! Está ficando feia e rabugenta, nem sei a ultima vez que se lavou. Não dá mais.
-Isso foi bem esclarecedor.
-Então está satisfeita?
-Oui, oui. Mas... Tem uma coisa...
-Não tente, Louise, não me faça ser grosso, não quero chantagens emocionais em público!
-Não é isso, seu porco. Estou grávida.
-Qual, o que?! Falei que não cairia em chantagens emocionais.
-Estou falando sério, insensível! - E retirou da bolsa uma pasta com um exame médico. Passei os olhos rapidamente, confirmei, a vadia tinha realmente conseguido ficar gravida naquela hora.
-E você ainda fuma nessa situação? - falei baixinho, estava abalado.
-Pro inferno, não vou ter essa criaturinha com você.
-E eu não posso escolher?
-Escolher o que? Escolher ter dividas de pensão todo mês? Se quiser um, vá ter com alguém que ama.
-E você não me ama?
-Amo.. Amava.. Não sei, agora queria que você morresse.
-Isso é amor.
-Está bem, - falou baixinho também enquanto apagava o cigarro envergonhada - eu quero muito essa criança, mas não se você não me quiser.
-Nosso filho não tem nada a ver com isso.
-Claro, é por isso que vou cobrar o dobro para a pensão, ele precisa crescer saudável você sabe, não sei quando vou conseguir arranjar emprego.
-Sua gananciosa.
-Meu caro, foi você que escolheu estarmos aqui agora nessa situação.
-Aqui eu não escolhi não, você que escolheu o lugar. Esse lugar é caro demais, fere meu bolso.
-Seu pai é rico, você não tem que se preocupar com dinheiro.
E foi assim que perdi a cabeça. Levantei rápido e cheio de ira, chinguei Louise de todos os nomes feios que sabia em francês e português em alto e bom som para que todo o restaurante ouvisse. Depois atirei a mesa contra a pobre coitada e dei as costas, fugindo de mãos e braços de garçons e burgueses.
O engraçado é que, enquanto Louise chorava para mim e todos bravejavam em minha direção, tudo que ouvia era uma absurda distorção da sinfonia de Bach que tocava ao fundo. Aquilo tinha virado heavy metal.